Sagui Pensadoris!!!!

Thursday, December 07, 2006

Espiritualidade e VIda Cotidiana

"Ao seguirmos Jesus e nos entrosarmos na nova vida, de salvação, somos frequentemente tentados, por uma série de seduções, a negar, ou evitar, ou até mesmo menosprezar as coisas comuns, do cotidiano. Somos levados à busca ansiosa dos milagres e êxtases, aos mostruários de brilho falso do sobrenatural. Os novatos quase sempre não percebem a fragilidade desse gelo sobre o qual caminham. E aí é que mora o perigo: existem, na maioria das vezes enfaticamente, milagres, êxtase e sobrenatural na vida cristã, mas nunca que constituem motivo para uma fuga de nossa humanidade, nem mesmo um atalho para fora deka. Geralmente, revelam-se dentro da nossa humanidade" - Eugene Peterson (Transpondo Muralhas - p. 28)

Tuesday, October 31, 2006

Reflexão sobre simplicidade

Minha família é uma família unida. Adoro os nossos encontros. Mais do que estar com aqueles a quem amo, é um tempo de relembrar o passado. Não o meu, o deles. Reunião de família é festa, é tempo de alegria. Sempre que os ouço conversando sobre a infância, confesso desejar viajar no tempo. Não desejo nem mesmo viver o que viveram. Conformar-me-ia ser uma mosca, apenas ver o que viveram. Pela alegria com que contam os “causos”, e pelas gargalhadas que os interrompem, não tenho dúvida: foram muito felizes. Televisão, só na casa do vizinho. Carne, uma vez por semana. Ovo, um para três irmãos. Pão com manteiga, apenas quando a “tia de mais condição” vinha visitá-los. Quando não, pão com marmelada. Roupas novas, só as que eram velhas para outros. Bonecas e carrinhos, só os de papelão. Não se lembram só disso. Lembram-se das carreiras que levavam das vacas quando tentavam pular o muro do vizinho para roubar mangas. Lembram-se das encrencas em que os irmãos mais novos se metiam, na certeza de que os mais velhos os defenderiam. Lembram-se que ficavam agarrados ouvindo a novela pelo rádio, que também era do vizinho. Lembram-se que minha avó, mesmo não tendo condições, sempre os deixou limpinhos e arrumadinhos, a ponto da vizinhança chamá-la de metida. Lembram-se que bebiam o leite que ia da teta da cabra, direto para suas canecas. Lembram-se dos banhos de rio, dos vermes e dos piolhos. E, enquanto lembram, penso: “Eram felizes”. O que tinham? Além de uns aos outros, e das misericórdias de Deus, muito pouco. Mas eram muito felizes. Certamente, o pouco que tinham, era muito. E esse “pouco muito” foi o que marcou as suas vidas. Vejo a união e o amor com que se tratam. Isso é o que importa. Eclesiastes 5:15 e Romanos 8:38-39, nos lembram, respectivamente: “Como saiu do ventre de sua mãe, assim nu voltará, indo-se como veio; e do seu trabalho nada poderá levar consigo.” e “estou certo de que, nem a morte, nem a vida, nem anjos, nem principados, nem coisas presentes, nem futuras, nem potestades, nem a altura, nem a profundidade, nem qualquer outra criatura nos poderá separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus nosso Senhor”. Apesar de não terem ovo, televisão, brinquedos, carne, e tantas outras coisas, tinham o amor de Deus. Amor que os unia. O que realmente importa? Certamente, nada que a terra possa consumir...